
Entrei para a escola aos 3 anos [
4 em maio] e não lembro o sentimento da época, lembro e falam que eu corri toda alegre para abraçar as outras crianças [
eu fazia o tipo "cãozinho feliz", mordia e tudo de tanta felicidade]. Fiz o Jardim, Pré e CA na Arca de Noé [
eu era a gata da Arca].
Aos 6 anos [
7 em maio] veio a "primeira" dor da vida: mudar de escola. Ninguém perguntou se eu queria, ninguém perguntou como seria grande a saudade que eu sentiria dos meus amiguinhos!
Tive medo. Medo de não fazer mais amiguinhos, medo porque aumentaria o número de matérias, de provas, de tias.
Medo do desconhecido.
Bobinha... aquele desconhecido foi o responsável por uma infância feliz, saudável, sem maldade, com companheirismo e todas as brincadeiras possíveis e impossíveis.
Fiz Primário e Ginásio [
estou usando os termos da minha época] no mesmo Colégio Ferreira Alves, até que...
Até que num "belo" dia a ficha caiu. Lá estava eu fazendo prova para Escola Técnica. Isso significaria outro afastamento, encarar outro desconhecido.
Aos 14 anos [
15 em maio] passei pra Federal de Química e pra Escola Técnica Estadual de Santa Cruz.
Tudo lugar longe! Logo eu, que era aluna de ônibus de escola, que até meus 12 anos meu pai me levava até a porta do colégio, que ia sozinha nos dois últimos anos, pois era uma distância ridícula, logo eu teria que "viajar" por esse Rio de Janeiro
sozinha!
Escolhi fazer Enfermagem em Santa Cruz... veio o medo da distância, medo das matérias, medo da responsabilidade da profissão que eu, tão nova, estava escolhendo.
Levei trote, almoçava em bandejão, convivi com outra realidade, tinha que passar por favela pra chegar lá e, quando essa estava em guerra, minha mãe quase tinha um filho pela boca...
Foi tudo tão maravilhoso! Lá eu fiz verdadeiros irmãos que fazem parte da minha vida até hoje!
No último ano eu só chorava de saudade antecipada e veio novamente o medo do desconhecido!
Fiz Enfermagem, amava Veterinária, era louca por Dança, apaixonada por Engenharia Química, curiosa em fazer Matemática.
Como fiz Segundo Grau técnico, deixei de ter muita matéria e por isso...
... aos 17 anos [
18 em maio] fui fazer curso Pré-Vestibular e lá reencontrei amigos do Primário-Ginásio e do Segundo Grau! Ainda encontrei amiga que cresceu na minha casa e eu na dela...
Nem preciso dizer como era bom, né?!
Mesmo assim foi um período difícil, eu não sabia lidar com pressão psicológica - hoje eu dou aula e tudo - e essa "obrigatoriedade" de passar num Vestibular e o dinheiro pago nas inscrições não ter sido em vão, me deixavam louca!
Paralelamente às provas, surgiu o Prouni que o tio Lula fez e, meio sem saber do que se tratava, fiz a inscrição.
Na Uerj entreguei, ainda na primeira fase, a prova de Física em branco. Eu ia lá esquentar minha cabeça tendo prova da Ufrj logo depois?!
Na prova da Unirio fui bem pra caramba, passei
pra segunda fase mas não
da segunda fase.
Na prova da Ufrj fui bem em tudo! Meu orgulho até hoje é meu 8,5 em redação! Arrasei em matemática! Fui ótima nas outras matérias mas... física acabou comigo de novo.
Na Uff - que eu me empolguei muito - passei em tudo, inclusive na Reclassificação, coisa que vi tarde demais...
... tarde demais, pois aos 18 anos [
19 em maio] passei no Prouni através da prova do Enem, comprovação de renda, de entrevista e mil coisas e fui parar na Universidade Estácio de Sá. Bolsa integral de 100%.
Chorei rios de lágrimas.
"Não me matei de estudar pra acabar numa faculdade particular!" - era o que eu berrava.
Bobinha... na faculdade particular entra todo mundo sim, mas o diferencial é o aluno quem faz. É tão bom perceber quantos alunos da minha faculdade estão passando nos Concursos e a classificação de cada um...
Eu não quero trabalhar em clinica particular minha vida inteira. Quero é ser concursada e pra isso, foda-se análise de currículo!
Não tenho o mínimo de frustração em nenhum quesito da minha vida.
Chego nesse estágio com a sensação que tudo valeu a pena.
Eu me sinto realizada!
Agora, aos 22 anos [
23 em maio] não sei o que será do amanhã, não faço idéia.
Tenho meus planos, objetivos, sei que um depende do outro e tudo mais, só que agora há um diferencial:
o medo acabou!
Fazendo essa reflexão eu pude perceber que tudo na minha vida foi perfeito e cada mudança só me fez bem, só trouxe felicidade.
Não vai ser diferente, vocês vão ver!
2009, chega logo!